27.4.11


29 Abril - Dia Internacional da Dança


O dia Internacional da Dança foi criado em 1982 pela  UNESCO(Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A data 29 de Abril comemora o aniversário de Jean-George Noverre (nascido em 1727), formulador das bases cênicas da dança no século dezoito e autor das "Cartas sobre a Dança e os Ballets", livro fundamental até hoje para estudar a teoria e a prática da Dança.




"Entre os objetivos do Dia da Dança estão o aumento da atenção pela importância da dança entre o público geral, assim como incentivar governos de todo o mundo para fornecerem um local próprio para dança em todos sistemas de educação, do ensino infantil ao superior"

Em Joinville a data será lembrada por meio de apresentações das Companhias de Dança ao longo do dia em praças, Escolas e Teatros. Prestigie e participe !

17.4.11

Ser Bailarina ....





Ser bailarina é muito mais do que giros, saltos, abrir um grand ecart a 180 graus, ou mesmo ser flexível, é  muito mais do que ter eixo e ser magra. Ser bailarina é muito mais do que andar de coque e roupa de ballet, é muito maior que festivais e espetáculos de final de ano ou dançar nas primeiras filas ou mesmo um solo, duo, trio, quatre ... Ser bailarina é ter disposição todos os dias para fazer aula de balé e melhorar aquilo que se  pode ter julgado como um bom desempenho no dia anterior. Ser bailarina é dedicar-se, é estudar o balé, sua história, seus personagens, seus passos e movimentos ... é respirar ballet. Não se aprende balé somente lendo livros ou pelo YouTube, twitter ou por osmose. Balé se aprende em sala de aula, perguntando, instigando seu mestre, tirando tudo o que ele tem para lhe passar com suas experiências e conhecimentos, afinal,  não é  esse o papel do Mestre, o de ensinar ? e o do aluno, aprender, fazer aulas e dedicar-se ao máximo todos os dias ? se isso não acontece, pergunto então, o que esses corpos (mestre e aluno ) fazem dentro de uma sala de balé ? O Ballet Clássico é uma arte e é  necessário muito mais que fazer plies e piruetas, essa arte requer mais que um treino físico, requer emoção, paixão, amor. Ser bailarina é buscar a perfeição, mesmo sabendo, que jamais a encontrará, é dedicação, uma busca constante. O ballet não é para fracos (no sentido emocional) é um desafio diário em transformar seu corpo e possibilitar que ele realize movimentos dificílimos que inclusive desafiam a gravidade… e o mais difícil de tudo, ele precisa encantar, pois cada passo, cada compasso corresponde uma interpretação, um sentimento, um desempenho artístico. Ele te desafia, te cansa, te exaure não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Parece que ele quer sugar toda a sua essência para que quando você dance essa essência exploda em movimentos, em respiração, em leveza, em graça, em arte. Ser bailarina é querer aprender sempre, porque um bailarino vai passar a vida toda aprendendo independente da idade e do tempo que tem de função nesta área. O bailarino tem que dar o seu melhor todo dia, tem que ter humildade de errar e perguntar ao seu mestre como corrigir esse erro, pois ele vai errar sempre, vai cometer sempre os mesmos vícios, aqueles vícios que o corpo adquire ao longo da carreira. Então, respire, estude, dedique-se, procure mudar suas posturas, aceite o desafio de ser bailarina, torne isso possível, faça ballet clássico e seja bailarina.... dedique-se, seja humilde, estude, crie desafios e supere-os, busque o melhor caminho, a melhor escola, os melhores mestres. Não seja uma bailarina de caixinha de música, lembre-se ... dançar é sim muito importante, mas não  é preciso subir num palco e dançar variações e variações, balés e mais balés atrás de prêmios e festivais para ser uma bailarina de verdade. Dançar é a busca pelo desconhecido, pela perfeição (mesmo sabendo que jamais a alcançará) é estudo, insistência, aula, repetição e muita sabedoria.

Não esqueça, o maior palco que temos que enfrentar é o da  nossa própria jornada, do  nosso caráter, da nossa vida ....

Texto de K. Ribeiro/M. Sage




13.4.11

Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro



“Giselle” abre temporada de balé do Theatro Municipal




O espetáculo de balé, Giselle, abre a temporada de 2011 de balés do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a partir desta sexta-feira, em um total de oito apresentações. Encenada por algumas das maiores companhias internacionais, a versão assinada há 50 anos pelo coreógrafo inglês Peter Wright integra o repertório do Ballet do Theatro Municipal desde 1982.
No papel-título, revezam-se as bailarinas Claudia Mota e Márcia Jaqueline. Filipe Moreira e o inglês Robert Tewsley, artista convidado, se alternam no papel de Albrecht. À frente da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal estará o maestro Silvio Viegas. O ballet conta com direção e mis-en-scène de Desmond Kelly. A direção artística do BTM é de Hélio Bejani.
Criado em 1841, Giselle foi a segunda obra dentro do estilo romântico, precedida por La Sylphide, de 1832. Trata-se de uma tragédia envolta numa atmosfera misteriosa e sobrenatural, que está na origem do movimento Romântico. É uma obra que vem encantando o público há mais de um século e meio, e constitui-se em um ponto de referência na história da dança.
Giselle nasceu a oito mãos: do escritor Theóphile Gautier, do libretista Vernoy de Saint-Georges e da vivência dos coreógrafos Jean Coralli e Jules Perrot. A obra reflete uma nova estética e um novo conceito cênico: o drama-ballet, em que elementos do teatro se harmonizam com a dança.
O resultado é um ballet suave e ousado, em acentuados contrastes, que contrapõem o primeiro ao segundo ato. De um lado, o realismo do cotidiano. Do outro, seres incorpóreos e imateriais. A música foi composta por Adolphe Adam em apenas três semanas. Em 1961, em Stuttgart, o coreógrafo inglês Peter Wright criou sua versão de Giselle, que se tornaria uma das mais encenadas da atualidade, integrando o repertório das maiores companhias clássicas do mundo como o Royal Ballet, Royal Birmingham Ballet, Ballet de L´Opera de Paris, American Ballet Theater e o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros.
SERVIÇO
Ficha técnica:
Ballet Giselle
Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Música: Adolphe Adam
Libreto: Théophile Gautier e Vernoy de Saint-Georges
Coreografia: Sir Peter Wright (segundo Perrot e Coralli)
Regente Titular da Orquestra do Theatro Municipal: Silvio Viegas
Bailarinos principais: Claudia Mota, Márcia Jaqueline, Filipe Moreira e Robert Tewsley (artista convidado)
Direção e mis-en-scène: Desmond Kelly
Cenários e figurinos: Peter Farmer
Diretor Artístico do Ballet do Theatro Municipal: Hélio Bejani
Fonte: Correio do Brasil

12.4.11

Bailarinos homens ainda sofrem com discriminação








A culpa, nesse caso, é muitas vezes dos pais. A escassez de homens em escolas de balé clássico no país, em pleno século 21, ainda tem raízes no preconceito em relação a uma atividade considerada “coisa do sexo feminino”. Enquanto em outros países, as escolas mantém turmas só de rapazes, no Brasil, pode-se contar nos dedos de uma mão, – e olhe lá! –  o número de garotos em uma sala de aula. “Aí, logicamente, a atenção não será para ele, e o aluno se desestimula e desiste”, diz Jair Moraes, professor do Balé Teatro Guaíra e criador da independente Companhia de Dança Masculina Jair Moraes. Com mais de 300 alunos, a Escola de Dança Teatro Guaíra (EDTG) tem apenas um ou dois meninos em cada turma. “Temos mais rapazes, pois as crianças não têm muito apoio dos pais para trazê-los. Quando chegam a uma certa idade, conseguem vir por conta própria. É uma questão cultural do Brasil. Em outros países, dançar é natural para os homens. Então, isso gera até mesmo uma diferença de mercado: os rapazes são sempre mais disputados nas companhias brasileiras”, explica Sylvia Andrzejewski Massuchin, coordenadora da EDTG.  Na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, no entanto, essa configuração parece mudar. De um total de 282 alunos, 103 são garotos.
Nas academias de dança, a presença masculina ainda é problemática nas aulas de dança clássica. No Studio D1, de vez em quando surgem alguns meninos interessados em dançar balé. “Os meninos não se criam. Eles começam, mas freqüentemente são obrigados a abandonar o curso por pressão do pai machista”, conta a proprietária da academia, Dora de Paula Soares. Muitos alunos, seja de academias ou de escolas de dança, são jovens homossexuais que enxergam na dança a oportunidade de se libertar da repressão familiar. “É uma visão errada porque a dança não tem nada a ver com isso. Aí, tenho que explicar que eles podem ter a vida que quiserem, mas, em cena, quero que tenham uma postura masculina”, diz Moraes.
Ele é uma espécie de “paizão” dos quase 30 homens que participam de sua companhia, criada há oito anos para revelar talentos que, sem oportunidade, nunca despontariam. São homens de 16 a 29 anos, das mais diversas constituições físicas, que todas as noites trocam a roupa do trabalho pela malha de dança. Muitos só puderam realizar o sonho de dançar quando se libertaram do jugo do pai repressor. São histórias que se assemelham à do próprio Jair Mores. Filho único de uma família carioca de baixa renda, de homens militares, esperava-se que ele seguisse pelo mesmo caminho. “Aos 10 anos, descobri que dançar era o que eu queria, mas meu pai nunca iria deixar. Então, fui fazer teatro”, conta. Só quando o pai morreu, Moraes pôde dançar a sério. Por isso, ele compreende bem as dificuldades dos rapazes que batem à sua porta à procura de uma oportunidade de mostrar seus talentos. 
Por começarem a dançar mais tarde do que a média das meninas, os meninos precisam receber um treinamento acelerado. “Trabalho com corpos bem diferentes e tenho que burilá-los, pô-los em cena para dançar. Eles dançam em espetáculos, têm um aproveitamento em cena melhor do que em sala de aula, porque em sala estou acelerando seu aprendizado na base da ‘paulada’. A mulher vem mais dotada, começa bem mais cedo com  iniciativa das família.
Nem só de técnica são feitos os encontros com Jair Moraes. O “paizão” conhece bem a realidade dura de seus alunos e, por isso, conversa muito sobre sexo, drogas e relações familiares.

“Não vou formar o primeiro bailarino de uma companhia. Quero, acima de tudo, criar cidadãos, ensinar o caminho da dança para que a pessoa possa sobreviver com isso, dar aula, criar coreografias. Mas é complicado, porque a família espera que os filhos ganhem muito dinheiro, e culturalmente nosso país é pobre. Se o artista não está na TV Globo, não é visto e não tem bom salário"

Foto Plano de Fundo: Coreografia | "The Messiah | Silêncio" do Mestre Jair Moraes