29.4.14

Dia Mundial da Dança

 
 Jean-Georges Noverre - 29 de abril - 1727-1810

Bailarino, professor e coreógrafo francês, foi uma personalidade que mudou os rumos da dança. Começou a dançar aos 14 anos como aluno de Louis Dupré, na Academia Francesa de Música e Dança que depois se tornaria a gloriosa Ópera de Paris. Se tornou amigo de Marie Sallé, uma de suas companheiras em idéias revolucionárias e por sua indicação dançou na corte de Fontainebleau. A maturidade de sua carreira começou quando passou alguns anos em Berlim, estudando, trabalhando e convivendo com grandes bailarinos. Quando volta a Paris, assume a direção da Ópera-Comique e começa a criar inúmeros espetáculos de dança, que aos poucos o deixam conhecido internacionalmente. "Noverre ultrapassa os princípios gerais que norteavam a dança do seu tempo para enfrentar problemas relativos à execução da obra. A sua proposta era atribuir expressividade a dança através da pantomima, utilizando mãos braços e feições para, segundo ele, sensibilizar e emocionar. Sugere a simplificação na execução dos passos e sutileza nos movimentos para uma ideal expressividade na interpretação da dança. Para Noverre, a dança em ação é a forma de interpretar as idéias escritas na música com verdade ao executar os gestos na dança. Noverre sentia-se orgulhoso de ter simplificado as alegorias na vestimenta e exigir ação, movimentações na cena e expressão à dança. A grande reforma que distingue o séc. XVIII do XVII e o aproxima do XIX é a criação do termo dado por Noverre no século XVII que se conservou sem mudanças até o século XIX."

Fonte: Dança Educativa Moderna, de Rudolph Laban

"(...)Noverre era conhecido por alguns como Sheakespeare da dança. Embora tivesse criado cerca de 150 ballets em Paris, Viena e Stuttgart, sua influência foi mais como reformador. O objetivo de Noverre era libertar o corpo expressivo do bailarino de posições estereotipadas, libertar o corpo de máscaras pesadas e arquivar as armaduras incômodas de danças de batalhas e outras vestimentas que escondiam o corpo. Nos tempos do rococó que ocultava belas formas com enfeites extravagantes, o livro Lettres sur la Danse at sur les Ballets (1760-1807) de Noverre, abriu uma era nova. Suas teorias de Ballet d'action e de movimento expressivo se difundiram pela Europa até São Petesburgo e ainda servem ao Ballet Moderno."

"Noverre, que Voltaire considerava 'um Prometeu', era originário da província, portanto, não era um parisiense legítimo, mas falava numa voz que atingia os bailarinos de toda a Europa: "Filhos de Terpsícore, renunciem as cabriolas, os entrechats e passos excessivamente complicados, abandonem caretas e estudem sentimentos; abandonem graça e expressões sem arte; aprendam a dar nobreza aos gestos, não esqueçam que isso é o sangue da dança; ponham critérios e significados em seus Pas de Deux; deixem que a força de vontade indique o caminho e que o bom gosto esteja presente em todas as situações; fora com essas máscaras sem vida, que são cópias pobres da natureza. Quando Noverre se refugiou em Londres por causa da Revolução Francesa, ele também voltou às convenções caducas do Ballet Profissional, contradizendo suas mensagens contra regras engessadas. Agora ele decretava que os pés dos dançarinos não deviam se afastar mais de quarenta centímetros, que nunca devia haver mais de trinta e dois dançarinos em um palco, e que nenhuma música já composta devia ser usada por um coreógrafo. Mas as idéias anteriores de Noverre, não podiam simplesmente voltar para a garrafa. Ele já tinha soltado a dança e possibilitado o Ballet Romântico baseado em leveza e graça. Foi esse o Ballet que dominou os palcos das capitais européias no século XIX."

Fonte: Os Criadores: Uma História da Criatividade Humana.

 Noverre, Jean Georges, 1727-1810
Dança|Ballet



A leitura crítica dos textos de Noverre é de importância fundamental para o desenvolvimento de qualquer reflexão criteriosa sobre os espetáculos de dança da modernidade. A partir deste pressuposto Mariana Monteiro conduz sua análise no livro 'Noverre - Cartas sobre a dança - Natureza e artifício no Balé de Ação' . A autora contextualiza a atuação do bailarino e seu discurso teórico no universo artístico e intelectual dos meados do século XVIII, no qual as reflexões estéticas eram mobilizadas pelo mesmo impulso renovador que atingia todos os campos do saber.

NOVERRE - CARTAS SOBRE A DANÇA
Marianna Monteiro
São Paulo: EDUSP; FAPESP, 2006
392 p.


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